Cult of Personality (Living Colour)

Cult of Personality é a canção que abre Vivid (1988), disco de estréia do Living Colour. Muito conhecida por seu riff de guitarra, esta canção é, sem dúvida, o maior sucesso da banda nova-iorquina. Will Cahoun, baterista do Living Colour, também realizou trabalhos como sideman (Marcus Miller, Jack Dejohnette, Wayne Shorter, Lenine, T.M. Stevens) e como produtor (Herb Albert e Mos Def). Como líder, lançou: Housework (1994), Drum Wave (1997), The Will Calhoun Quintet – Live at the Blue Note (2000), Native Lands (2005) e Life In This World (2013).

Antes de analisarmos a performance do baterista, vale a pena citar que diferenciamos os versos em A1, A2 e A3, já que as três seções são similares, mas não idênticas. O mesmo critério foi adotado nos refrãos 1 e 2.

Logo após o trecho do discurso de Malcom X no início, o guitarrista Vernon Reid apresenta o famoso riff. No segundo compasso, o baterista faz uma virada com bumbo, caixa e surdo, onde reforça o ritmo desse riff, além de fazer uma preparação para o groove que vem a seguir. Nos compassos 7, 38, 89 e 104, encontramos ideias parecidas com a do compasso 2.

No compasso 3, temos uma levada de bateria com a caixa nos tempos 2 e 4; bumbo na cabeça do tempo 1, e na cabeça e contratempo do tempo 3; e chimbal (meio aberto) em colcheias.

Cult of Personality é predominantemente em 4 por 4. Entretanto, no compasso 5 temos um compasso em 3 por 4.

Nos versos, temos uma levada muito parecida com a introdução, porém aqui o chimbal é tocado apenas ligeiramente aberto. Os momentos onde o vocalista Corey Glover canta os versos “The Cult of personality”, são reforçados pelo baterista com pratos de ataque  e bumbo (por exemplo: compassos 10 e 11, 16 e 17, e 20, 21 e 22).

Nos compassos 18 e 19 (parte A1) e 51 e 52 (parte A2), o baterista varia a levada de forma similar, tocando a caixa nos tempos 2 e 4 e na segunda semicolcheia do tempo 2, e o bumbo na cabeça do tempo 1 e no contratempo do tempo 3.

No final das partes A1 (compassos 23 a 26) e A2 (compassos 56 e 59) temos um pequeno trecho em 3 por 4. Aqui, podemos considerar que a bateria é tocada em 4 por 4 (ver anotação no compasso 26) sobre a guitarra e baixo em 3 por 4. No final dos compassos 26 e 59, temos uma virada com fusas na caixa (rulo de toques simples).

No refrão 1, o baterista executa uma levada de dois compassos, com bumbo, caixa, prato de condução, aberturas de chimbal, além de pratos de ataque (ver compassos 27 e 28). Vale dizer que o prato de condução é tocado com a mão direita e as aberturas de chimbal com a mão esquerda. Uma pandeirola, tocada no tempo 4 de cada compasso, completa a levada.

No final do refrão 1, Will Calhoun toca uma virada de quatro tempos, onde caixa e surdo são tocados em uníssono (compasso 34).

Os refrãos 1 e 2 são tocados de maneira muito parecida pelo baterista. Porém no refrão 2, temos uma virada de dois tempos com sextinas distribuídas (com rulos de toques simples) entre caixa, dois tons e surdo. Além disso, nos compassos 67 e 68, temos um trecho onde o prato de condução sai da levada, restando bumbo, flams na caixa e pratos de ataque. Repare que o compasso 68 é em 2 por 4.

 O baterista começa o último verso (parte A3) retomando a levada que havia sido tocada nos versos anteriores. Porém, entre os compassos 96 e 104, Will Calhoun se solta um pouco mais, fazendo mais viradas e pontuações com bumbo e pratos de ataque.

Na seção de encerramento da música (coda), consideramos que a música dobra de andamento. Entre os compassos 106 e 111, a fórmula de compasso alterna entre 4 por 4 e 2 por 4, fixando-se em 4 por 4 do compasso 112 até o final.

Aqui, a levada está distribuída entre prato de condução e cúpula do mesmo (com a mão direita), aberturas de chimbal (com a mão esquerda), além de bumbo e caixa.

Ouvindo Cult of Personality, concluímos que Will Calhoun é um baterista que toca para a música de maneira vigorosa, utilizando seu sofisticado vocabulário musical e sua apurada técnica em momentos pontuais.

Em entrevista à revista Drums & Drumming (novembro/90), questionado sobre seu papel no quarteto norte-americano, Will Calhoun disse: “Em primeiro lugar, tenho tentado trazer para a banda uma estrutura de tempo sólida. Depois, de maneira musical, quero aplicar os anos que passei ouvindo Elvin Jones, Max Roach, Art Blakey e Billy Cobham.

Logo abaixo, além da gravação original, temos uma versão ao vivo do Living Colour, onde é possível observar que todos os músicos improvisam bastante sobre a versão de estúdio.

Para finalizar, temos a versão da banda Rock Wheels, grupo de rock cover do qual sou baterista. Procuramos fazer uma versão fiel, tendo à gravação original como referência, mas sem a intenção de tocar exatamente as mesmas notas tocadas pelo Living Colour.

 

                        

Versão original de Cult of Personality                                                             Versão ao vivo de Cult of Personality (1989)

 

Banda Rock Wheels tocando Cult of Personality (Living Colour)

 


Will Calhoun Trio com Marc Cary e Charnett Moffett (2013)