When The Levee Breaks (Led Zeppelin)

When The Levee Breaks é a música que encerra o quarto álbum do grupo britânico Led Zeppelin. Este disco ficou conhecido como Led Zeppelin IV por não ter nenhum nome oficial. Lançado em 1971, ultrapassou a marca de 30 milhões de cópias vendidas, e conta com sucessos como Stairway to Heaven e Rock and Roll.

Composta por Kansas Joe McCoy e Memphis Minnie, When The Levee Breaks foi gravada originalmente, pelo próprio casal, em 1929.

A versão do Led Zeppelin ficou caracterizada por uma das levadas mais famosas do baterista John Bonham (ver compasso 1). Aqui temos: chimbal tocado em colcheias; caixa nos tempos 2 e 4; e bumbo na cabeça do tempo 1, na quarta semicolcheia do tempo 2, e na terceira (contratempo) e quarta semicolcheias do tempo 3. Este groove é tocado na introdução, parte A, interlúdio e coda.

Esta hipnótica levada de bateria foi sampleada inúmeras vezes, sendo utilizada em músicas como Rhymin’ and Stealin’ (Beastie Boys) e Midnight (Ice-T).

Na seção seguinte, encontramos uma levada com chimbal e caixa idênticos à seção anterior, porém com muito mais notas no bumbo. Optamos por diferenciar as partes em B1 e B2 por serem musicalmente  similares, mas não idênticas.

Durante a música, ouvimos diversas viradas curtas (compassos 20, 32, 39, 43, 61, 74 e 105), onde o baterista praticamente não interrompe seus grooves para executá-las. Também encontramos preparações mais longas, onde predomina o uso de toques simples (compassos 45, 79, 81, 99 e 107).  Nos compassos 22 e 23, temos um fill com caixa, bumbo e pratos de ataque, que será ouvido diversas vezes durante a música.

No compasso 83, John Bonham toca no bumbo as características tercinas de semicolcheia, aplicadas por ele em músicas do Led Zeppelin como Good Times Bad Times e Kashmir.

É importante dizer que o som de bateria que ouvimos em When The Levee Breaks, apenas tornou-se possível graças à performance do baterista, combinada às técnicas de gravação e produção.

No livro Luz e Sombra: Conversas com Jimmy Page (Brad Tolinski, Ed. Globo), o guitarrista do Led Zeppelin descreve a maneira como foi feita a gravação e como surgiu a ideia para tal. “Estávamos trabalhando em outra música no salão principal de Headley Grange, quando apareceu uma segunda bateria. Em vez de parar o que estávamos fazendo, dissemos às pessoas para trazê-la e armá-la no saguão de entrada. O saguão era imenso e no meio ficava a escada que levava aos três andares. Depois o Bonzo foi testar a nova bateria e o som era descomunal, porque aquela área era como uma caverna. Então a gente disse: Vamos deixar a bateria aqui!” 

Ele continua: “(O engenheiro de som) Andy Johns pendurou dois microfones (Beyerdynamic) M-160 vindos do segundo andar, comprimiu-os, acrescentou um pouco de eco e comprimiu o resultado final, e era tudo o que a gente precisava. E deu que a acústica da escadaria era tão balanceada que nem precisávamos microfonar o bumbo.”

Para completar, vale dizer que esta música foi gravada em outro andamento, sendo desacelerada posteriormente. Aliás, o andamento (semínima = 71 b.p.m.) que aparece na transcrição é apenas uma sugestão, já que When The Levee Breaks não foi gravada com uso do metrônomo (por exemplo, as partes B1 e B2 são tocadas uma pouco mais para frente do que as partes A).

A grande quantidade de recursos utilizados nesta gravação tornou muito difícil a execução desta música, fazendo com que a banda a tocasse ao vivo apenas duas vezes.


Versão do Led Zeppelin para When The Levee Breaks (1971)

 

                               

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