Let’s Dance (David Bowie)

Let’s Dance faz parte do álbum de mesmo nome, lançado por David Bowie em 1983. Impulsionado por sucessos como China Girl, Modern Love, além da faixa-título, este é o disco do artista britânico que alcançou maior sucesso comercial. Nile Rodgers, líder do grupo Chic, co-produziu este álbum com David Bowie.

Na música Let’s Dance, e na maior parte do disco, o baterista é Omar Hakim, músico que também tocou com: Weather Report, Sting, Madonna, David Sanborn, Dire Straits, John Scofield, e muitos outros.

Esta gravação também traz a participação de Stevie Ray Vaughan nos solos de guitarra.

Antes de comentar sobre a performance do baterista, é importante citar que, com exceção da parte B, todas as seções desta música possuem a mesma base, mas não são idênticas, e por isso receberam nomes diferentes. 

Na introdução desta canção ouvimos um fill de quatro compassos, e logo em seguida, a levada que será tocada em quase toda a música (exceto na parte B). Este groove (compassos 5 a 12) conta com um ciclo de oito compassos, assim como ideia musical tocada no baixo.

Esta levada é composta por duas ideias rítmicas distintas (compare os compassos 5 e 6). Note que a diferença está no bumbo, já que em ambas temos o chimbal na cabeça de cada tempo (em semínimas), e a caixa nos tempos 2 e 4.

Ainda nestas seções musicalmente similares, notamos que o baterista toca viradas curtas na metade dos ciclos de oito compassos, e viradas mais longas para finalizar os mesmos.

Nestes fills curtos é possível perceber a utilização da caixa com prato de ataque ou aberturas de chimbal (por exemplo, compassos 8, 16, 24, 52, 61, 85, 93, 111 e 119). No encerramento destas seções, temos fills com um repertório rítmico e musical mais variado, com amplo uso de rudimentos, como rulo de toques simples e duplos, além de flams e drags (por exemplo, compassos 20, 36, 56, 66, 107, 123, 131, 149 e 157).

Na parte B,  encontramos uma levada de dois compassos (ver compassos 37 e 38), com chimbal (em colcheias), caixa e bumbo. Na maioria das vezes, este ciclo de dois compassos é encerrado com fills tocados, simultaneamente, na caixa e no chimbal com abertura (compassos 38, 40, 41, 43 e 68). Nos compassos 70 e 74, encontramos viradas com ideias musicais mais variadas. Ao final da parte B, temos um fill de quatro compassos, similar ao tocado na abertura da música.

Em Let’s Dance, Omar Hakim optou por tocar de maneira firme e precisa, colocando seu groove marcante em primeiro lugar. Em entrevista à revista Modern Drummer (mai/00), o baterista falou sobre o que o atrai em tocar desta maneira: “Técnica é legal, mas eu também gosto muito de tocar de maneira simples. É por isso que eu gosto de tocar música pop. E quer saber mais? Há algo maravilhoso em tocar um groove dançante e ver o público ser totalmente envolvido por isso.”

Para finalizar, repare que a percussão é bastante utilizada em Let’s Dance. Durante a música ouvimos: blocos sonoros na introdução, refrão e parte A; pandeirola na parte B; e congas a partir de 3:26. A percussão é tocada por Sammy Figueroa. Efeitos como eco também foram amplamente explorados nesta canção.

Let’s Dance (versão original) 

 

                

Omar Hakim com Sting – Driven To Tears (1985)              Omar Hakim com a Buddy Rich Big Band – Slo-Funk (1991)