Improviso de Joey Baron em Ravayah (Masada)

O improviso do baterista Joey Baron (trecho de 1:08 a 2:22), faz parte de Ravayah, tema do álbum Beit (1995) do quarteto Masada. Este grupo é liderado por John Zorn (saxofone) e também conta com Greg Cohen (baixo acústico) Dave Douglas (trompete).

O solo é tocado sobre a parte A do tema, e nesta seção temos a fórmula de compasso 7 por 8. O baixista toca a melodia da seção A durante todo o solo de bateria.

Em alguns momentos do improviso, (compassos 1, 2, 3, 4, 15, 18 e 36), encontramos frases curtas, de um compasso (sete tempos). Em outros, ouvimos frases mais longas (compassos 7 a 9, 11 e 12, 20 a 22, 23 a 25, 32 a 34), onde o músico aproveita o motivo melódico de um compasso apenas como ponto de referência para “sair” e “voltar” para a mesmo.

Também notamos que o músico não aproveita apenas o motivo melódico de um compasso para improvisar, baseando-se também em toda a estrutura de seis compassos da parte A. É possível ouvir isso nos compassos: 1 a 6, 7 a 12, 13 a 18, 31 a 36. Percebemos que entre os compassos 19 e 25, o baterista toca uma longa ideia de sete compassos, ultrapassando a métrica da parte A. Isso é “compensado” na ideia de cinco compassos que vem a seguir (compassos 26 a 30).

No solo de Ravayah, Joey Baron faz largo uso de dinâmicas, além de  aplicar os rudimentos (toques simples e duplos, rulo de pressão, flams) de maneira muito musical. Há também um interessante uso das possibilidades timbrísticas da bateria. O compasso 15 (1:36), é um bom exemplo, onde o músico consegue extrair quatro sons diferentes da caixa.

Para finalizar, é importante citar que: a caixa é tocada sem a esteira durante toda a música; no solo de bateria o chimbal é tocado (com o pé) na cabeça de cada tempo; o andamento (colcheia = 204 b.p.m) que está na partitura é apenas uma sugestão, já que o mesmo “flutua” durante a música.

Ravayah com improviso de bateria de Joey Baron

 

Concerto de Joey Baron no Mózg (2006)