Jerry Was a Race Car Driver (Primus)

Sailing The Seas of Cheese (Primus)

Olá, tudo bem?

Desta vez, a transcrição é de Jerry Was a Race Car Driver, uma das músicas mais conhecidas do trio norte-americano Primus. Este som pertence ao terceiro álbum da banda (o segundo de estúdio), chamado Sailing The Seas of Cheese (1991).

Conheci o grupo no início dos anos 90, através do programa Fúria Metal (MTV), apresentado por Gastão Moreira. Nesse passado não tão distante, assistir ao canal era uma ótima oportunidade para conhecer novos sons e para ver a cara de alguns de seus artistas favoritos, através dos vídeo-clipes.

Formado em 1984, o trio contou com diversos bateristas em sua formação. Entretanto, foi na primeira passagem do baterista Tim “Herb” Alexander, entre 1989 e 1996, que o Primus gravou seus principais álbuns. O músico também tocou no grupo entre 2003 e 2010 e, em 2013, retornou à banda mais uma vez.

Enquanto esteve fora do Primus, Tim Alexander formou o grupo Laundry (recomendo o álbum Blacktongue de 1994), além de tocar com A Perfect Circle, Attention Defficit (com o baixista Michael Manring e o guitarrista Alex Skolnick), Fata Morgana, Puscifer, e Blue Man Group.

Vamos à música e à transcrição!

Jerry Was a Race Car Driver (Primus)

Transcrição de Jerry Was a Race Car Driver

É importante dizer que, como os versos tem ideias musicais similares, mas não idênticas, diferenciamos estas partes em A1 e A2. O mesmo critério foi usado nas partes C1 e C2.

Em Jerry Was Race Car Driver, notamos que, além dos tradicionais chimbal, pratos de ataque e de condução, Tim Alexander também usou um china, splash(es) e um sino (zil bell ou ice bell). Nos vídeos abaixo, podemos perceber que, frequentemente, o baterista usa um chimbal de cada lado (um fechado e um meio-aberto).

Com relação aos tambores, reconhecemos o som de três tom-toms, um surdo, dois bumbos e caixa (sonoridade aguda), além dos octobans, popularizados por Stewart Copeland, baterista do The Police.

Jerry Was a Race Car Driver começa (a partir de 0:34) com uma levada bastante elaborada do baixista e cantor Les Claypool. Além da introdução, esse groove servirá de base para os versos (partes A1 e A2), interlúdio e solo de guitarra.

Nestas partes, é possível perceber que o baterista não toca uma levada repetitiva. De modo geral, Tim Alexander: mantém o chimbal em colcheias (fechado ou meio-aberto), com acentos na cabeça de cada tempo; toca a caixa mais forte na cabeça dos tempos 2 e 4, faz amplo uso de notas-fantasma; e deixa o bumbo “solto”, fazendo colocações de acordo com a música, algo não muito usual no rock.

Na parte B, perceba que o groove de baixo possui uma rítmica similar, porém ocorre uma mudança de tom da música. Aqui, o baterista troca a levada, contribuindo para reforçar a mudança de clima. Tim Alexander optou por trocar o chimbal pelo prato de condução (cúpula e corpo do prato), e também por tocar outro ritmo com os dois bumbos.

Na seções C1 e C2 (similares à coda), parte onde a música cresce mais, o músico passa a conduzir o groove no china, e a tocar mais notas com os bumbos, deixando a levada mais densa que nas partes anteriores.

Bateria usada por Tim Alexander na gravação de Sailing The Seas of Cheese

Bateria usada por Tim Alexander na gravação de Sailing The Seas of Cheese (1991) e Pork Soda (1993).

É possível notar que, ao usar os dois bumbos, o baterista evita cair no clássico “dugudugudugu”, que significa tocar semicolcheias ininterruptamente.

Durante a canção, Tim Alexander aplica os seguintes rudimentos: rulos de toques simples e duplos (ver compassos 12, 20, 36 e 89), flam (compasso 53) e drag (compasso 28).

Uma das marcas-registradas do Primus, é a forma como o baterista interage com as complexas partes de baixo tocadas por Les Claypool. Tim Alexander discorreu sobre o tema, quando foi capa da revista norte-americana Modern Drummer, em setembro de 1993:

“Muitas vezes posso reproduzir musicalmente o que ele faz, mas eu também tenho que pensar se não estou poluindo demais. A ideia é reforçar o que ele toca. Embora Les toque ideias musicais com bastante informação, a maioria das vezes são partes fixas, sem tantas variações. Isso permite que eu não seja obrigado a manter algo repetitivo o tempo todo.”

Caso queiram conhecer melhor o som do Primus (com Tim Alexander), recomendo os álbums Frizzle Fry (meu preferido), Suck on This (ao vivo), Pork Soda, além é claro de Sailing The Seas of Cheese.

Bom, agora é só aumentar o som, imprimir a transcrição e suar a camisa!

Até a próxima!

 

                               
Vídeo-clipe de Jerry Was a Race Car Driver (Primus)                         Versão ao vivo no Dennis Miller Show (1992)

                                

Tim Alexander tocando Jerry Was a Race Car Driver (2012)                  Clínica de Tim Alexander (2015)

 

                               

Trecho do DVD Live Performance and Commentary (2003)                 Entrevista para o canal The Drum House (2012)